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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Super-terça.

Muito cuidado ao ler as manchetes dos maiores jornais brasileiros sobre a corrida eleitoral Americana. Semana passada Folha e O Globo anunciavam que Edwards havia deixado a corrida presidencial quando ele ainda não havia anunciado sua saída oficialmente. É claro que sua equipe já deveria ter informado as maiores agencias de notícia que sua decisão seria anunciada em breve. Mas a notícia naquele momento não era: “Edwards desiste da corrida presidencial”, mas sim "Edwards anunciará em breve sua desistência”. Eu me perguntava: onde? quando? como? o que ele disse? Ele ainda não tinha feito o anúncio, cara-pálida. Essa não era a notícia correta naquele momento.

Hoje acordo e leio manchetes em vários jornais brasileiros na web anunciando que Hillary havia vencido a super-terça democrata. Mais uma vez muito cuidado porque não é bem assim. Em número de votos ela venceu mesmo, mas nem por isso é ainda a favorita como já foi. e esse maior número de votos não significa ter de fato vencido a super-terça da maneira como as manchetes estão anunciando.

Não é bem assim, como podemos ver aqui.

Não houve vencedor claro no partido democrata. Hillary levou sim a Califórnia e isso foi muito importante para ela (venceu mesmo com Oprah, Maria Shriver e Caroline Kennedy subindo no palco a favor de Obama - me pergunto se caso Obama tivesse mais uma semana, teria virado o jogo por lá), Nova York (obviamente), Nova Jersey e Massachusetts (mesmo com o apoio dos Kennedy a Obama). São estados com maior população e maior numero de delegados (aqueles que votam para a nomeação do candidato). Obama venceu em Connecticut, Georgia, Minnesota e Illinois (obviamente).

Isso significa que Hillary levou 584 delegados enquanto que Obama levou 569. Ela soma 845 e ele 765. Precisam de 2,025 para vencer. Como podemos ver, pelos estados que ganhou, Hillary de fato tem hoje um maior número de delegados e hoje ela venceria.

Obama venceu entre homens em quase todos os estados e cresceu enormemente entre homens brancos; Obama estabeleceu base sólida entre os negros e dispara entre os mais jovens. Mulheres votaram desproporcionalmente em Hillary; ela tem base sólida entre os mais velhos e venceu entre Latinos (seja lá o que chamem de Latinos…). Parece interessante o que significaria para os imigrantes se esse voto latino acabasse sendo um dos grandes diferenciais que levariam Hillary à candidatura. Será que isso se traduziria em mais força politica aos latinos/imigrantes caso Hillary ganhasse?

Acontece que as primárias ainda não ocorreram em vários estados, exatamente aqueles onde a vantagem parece ser de Obama. No próximo sábado haverá votação em Washington, Louisiana e Nebraska e dia 12 em Maryland e Virgínia. Ou seja, as chances de Obama são concretas, como bem colocado pelo Idelber no Biscoito.

A lição? Não há mais favorito absoluto entre os democratas. Hillary levou no número de votos na super-terça, mas não venceu. Ainda há muita água para passar debaixo dessa ponte, não há mais favorito e os próximos dias serão decisivos. Aliás, mais decisivos e importantes ainda para mim, que aguardo ansiosamente a chegada de flor-bebê!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Coisas I.

Nossa flor faz 5 anos em Fevereiro e tinha ouvido dizer que nessa fase elas começam a fazer showzinhos de tudo: ballet, música, ginástica olímpica e tudo o mais que chame atenção e exija alguém minimamente interessado para compor a platéia. Não deu outra. Perto de completar 5 anos, vieram os shows. Como Natal e Reveillon esse ano foram em casa em NY rodeados de muitos amigos, deu para assistirmos a muitos shows. Pois na noite do Reveillon ela pede a atenção dos convidados para seu mais novo show de música e ballet. Antes do show começar entra a mocinha no palco imaginário e solta:

Ladies and gentlemen, o show vai começar. No cameras and cell phones off please.

!!!

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Hoje saiu no NYT um artigo muito bacana apontando o que há de mais irritante na cultura americana hoje e comparando com o Brasil. Claro, a visão do Brasil é romanceada mas ainda assim gostei muito. Concordo com quase toda a lista do artigo mas, para mim, as coisas mais irritantes entre as citadas são: As tribos que ele chama de “control-freak-martyr syndrome” ou aqueles que fazem tanto que nunca têm tempo para eles mesmos ou para atividades de puro prazer. São seres muito comuns por aqui, ainda mais na academia. Outra coisa irritante são as regrinhas nem sempre consistentes dos aeroportos. Tira sapato, casaco, laptop e mostra cartão de embarque geralmente com a pessoa logo atrás de você já irritada e demonstrando que você está demorando muito. Eu sempre mando o cartão de embarque pelo raio-x e sou advertida pelos policiais. Depois põe tudo de novo em tempo recorde, inclusive vestindo o sapato em pé. Argh! Por fim, a tribo dos “orgânico porque é orgânico e está na moda” me mata de raiva. Eu mesma acredito na importância dos alimentos orgânicos e na diferença entre eles e os “comuns”. Mas tudo tem limite e muitas vezes membros dessa tribo perdem o controle e vão longe demais como consumindo roupa orgânica dez vezes mais cara, banana e macarrão orgânicos. Menos, menos. Uma tribo não citada no artigo e que me irrita profundamente é a daqueles que falam a lingua Starbucks. E por aí vai…

Só peço que eu consiga de fato usar essas lições para 2008 e nao me deixe irritar ou, pior, contagiar, nem pelas tribos nem pelas irritações!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

País Civilizado.

Isto é que é um país civilizado. O Uruguai é o primeiro país da América Latina a aprovar a união civil entre gays. O senado Uruguaio aprovou a legislação por unanimidade. Através dessa legislação são reconhecidos e garantidos alguns direitos importantes aos casais como herança e pensão.

Apenas uma ressalva, não se trata da legalização do casamento gay da maneira como entendemos casamento. Arrumam-se os papéis e casa-se amanhã de papel passado. O que foi aprovado foi o reconhecimento da união gay e a garantia de alguns direitos após 5 anos vivendo juntas/juntos. Não é exatamente a mesma coisa mas significa uma enorme vitória. Gostaria muito de ver o Brasil nesse caminho. Fiquei curiosa em relação a lista de países que aprovam a união gay e o casamento gay. Alguém saberia nos dizer?

Veja mais sobre isso:
New York Times
BBC
O Globo
CBS

Procurei alguma coisa sobre o assunto em três jornais Uruguaios -- La República, El País e El Observador -- e nada encontrei. Pode ser pura incompetência minha não ter encontrado ou pode dizer algo, não? Se alguém encontrar, repasse, por favor.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Mulheres na Presidência.

Muito tem sido dito sobre Hillary Clinton, uma mulher, ser a candidata democrata com maiores chances de ser a candidata democrata e acabar levando a presidência dos Estados Unidos ano que vem. Eu particularmente espero que Obama vença tanto a nomeação democrata quanto a presidência, mas o poder finacneiro e político dos Clinton não é fácil de ser vencido. Existem duas questões importantes nessa frenesi americana relativa à possibilidade de uma mulher na Casa Branca.

Primeiro: será que apenas por ser uma mulher as propostas de Hillary (ou de qualquer outra mulher) tratam da questão de gênero de uma maneira satisfatória? Uma mulher na presidência seria vitória suficiente caso suas propostas não fossem inovadoras sob esse ponto de vista? Parece que Obama está tentando seduzir o eleitorado feminino com essa pergunta. E eu ando acreditando nele, que não, não seria suficiente apesar de representar sim uma vitória apenas por ser uma mulher. E, no caso dele, um negro.

Segundo: vários paises do mundo tem ou já tiveram mulheres na presidência ou em posições de muito poder. Porque chamar Cristina Kirchner de a “Hillary da Argentina” como vi em vários jornais americanos, e não o contrário? Afinal, Kirchner é presidente e não apenas candidata à candidatura como Hillary. Porque não lembrarmos de Indira Gandhi, Benazir Bhutto e tantas outras? Este é um país muito paradoxal em relação à posição da mulher na sociedade. Algumas vezes progressista e muitas outras retrógrado demais.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

28 de Setembro.


28 de Setembro: Dia pela Descriminalização do Aborto na América Latina e Caribe

Mais informações no Blog "Mulheres de Olho" e na página do CLAM.

P.S.: A imagem do cartaz foi tirada do Blog Mulheres de Olho.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

E as meninas arrebentaram...


Muita alegria ver o time de futebol feminino do Brasil na final da copa do mundo depois de uma vitória avassaladora por 4x0 em cima dos Estados Unidos. Como se não bastasse, Marta ainda é a artilheira do campeonato. Se o futebol masculino tem deixado a desejar, no feminino está sobrando! Que o país pare pelo menos um pouquinho para aplaudir o futebol feminino e o valorize do jeito que deveria porque essas mocas estão nos trazendo muito. E jogam lindo! Vamos esperar a final contra a Alemanha no domingo.

Duro foi assistir ao jogo com os comentaristas americanos da ESPN torcendo (claro!) contra o Brasil e chorando a expulsão da Shanno Boxx no finalzinho de primeiro tempo. Ah nem!

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Freedom of speech? Verdade?

Ontem, Ahmadinejad, o controverso presidente Iraniano falou na Universidade de Columbia, em Nova York. O convite já tinha gerado muitas criticas e o negocio estava pegando fogo, principalmente depois de sua presença ter sido vetada no Ground Zero, em Nova York. A propósito, ele está na cidade para participar da Assembléia Geral do ONU, que ocorre essa semana. Um jornal em NY publica manchete: “O demônio está aqui”, obviamente se referindo também ao fato de Chavez ter chamado Bush de demônio ano passado, durante o mesmo evento nas Nações Unidas.

As criticas vão na linha de que este sujeito seria o mensageiro do terror. Alem disso, ontem, ele falou perolas como a de que não existem homossexuais em seu pais. Ahmadinejad já era conhecido também por soltar aos quarto ventos que existem duvidas quanto ao massacre dos judeus durante o Nazismo e que esse assunto merece ser melhor pesquisado. E repetiu isso ontem, claro.

Já se sabendo o teor de suas declarações, porque o convite? Porque chama-lo para uma palestra em Columbia? Fala-se em liberdade de expressão, freedom of speech... De fato tiro o chapéu a Columbia, essa deveria ser uma forma de promoção da liberdade de expressão, principalmente na arena academica. E aí achei a atitude da universidade bastante progressista e pensei estar aberta ao debate. Mas sera que estava mesmo?

Ontem, lendo a cobertura do evento, tive duvidas. O reitor de Columbia (Lee Bollinger, que por sinal e ex-reitor de Michigan) já apresentou Ahmadinejad dizendo que o Ira promove o terror, não adere as regras internacionais de segurança impostas pelas Nações Unidas, etc, etc, etc. Ao que Ahmadinejad respondeu dizendo que, no Ira, palestrantes não são apresentados de cara com criticas para garantir aos alunos o espaço para a formação de opinião.

Sim, fica difícil defender alguém que diz não existirem homossexuais em seu país, por exemplo, e não e esse meu objetivo. Mas percebam que a essência do debate parece estar se perdendo e esse é meu ponto. O teor da visita e do convite para o seu pronunciamento não deveria ter sido o do espaço garantido a liberdade de expressão? Principalmente sabendo-se muito bem de suas posicoes?

Território perigoso esse em relação a Ahmadinejad. Ele fala na ONU hoje a tarde. Vamos aguardar. Depois do “cheiro de enxofre” do Chavez se referindo ao Bush ano passado, quero ver se Ahmadinejad consegue ser mais criativo!

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Divisões Perigosas.


Se você está no Rio e se interessa pelo tema políticas raciais, repasso o convite que recebi para o lançamento do livro “Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo”, organizado por Peter Fry, Yvonne Maggie, Marcos Chor Maio, Simone Monteiro e Ricardo Ventura Santos.

Se você não está no Rio e assim como eu se interessa pelo tema, fiquemos de olho para ver quando ele aparecerá no Submarino. Ele ainda não está disponível, mas está com toda pinta de aparecer logo, logo.

A propósito, na Revista Veja dessa semana saiu um artigo denunciando ameaças que os organizadores do livro vêm sofrendo, segundo a antropóloga Yvonne Maggie. Dado que não li o livro ainda e não vi essa notícia em nenhum outro lugar on-line, fica a pergunta: Alguém sabe mais sobre isso? Sera mais alguma noticia fabricada pela Veja?

P.S.: Sim, meus caros 4 leitores, perdoem-me a insensatez, mas eu leio a Revista Veja on-line de vez em quando.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Zeitouna.

Zeitouna é oliveira em árabe. Zeitouna é também o nome de um grupo de doze mulheres que vivem em Ann Arbor -- seis de descendência árabe e seis de descendência judia – e que se recusaram a ser inimigas. Há quatro anos elas se reúnem com o objetivo de se conhecer e entender suas diferenças e semelhanças. Através desse processo, elas buscam transformar sua forma de ver o outro, expandindo o diálogo entre os dois lados e o discurso político do conflito.

À medida que se conheciam, elas percebiam muito mais o igual que o diferente. Inclusive as estórias de perseguição, violência e guerra vividas por elas e suas famílias. Esse processo de conhecimento e diálogo culminou em ativismo e palestras. Agora essa história pode ser vista no documentário “Refusing to be Enemies: The Zeitouna Story”.

O trabalho do grupo é um belo exemplo do que está ao nosso alcance. Nos deparamos com problemas tão enormes – a fome, a guerra, a violência, a homofobia, o preconceito, etc, etc, etc... -- que suas soluções nos parecem inatingíveis e intratáveis. O fato é que a gente pode com o que está a nossa volta. Ensinar nossos filhos e a nós mesmos a enxergar o outro pelo que ele é. É concreto, é real, está próximo. E parece um bom começo.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

E o mundo gira.

Wolfowitz acaba de renunciar ao posto de presidente do Banco Mundial.

Menos um ser da turma do Bush...

Iupi!!!

Vamos comecar o dia bem amanha.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Bilbiotecas públicas e estrelas.

Se tem uma coisa que gosto em Ann Arbor é sua biblioteca pública. Além de todos os livros infantis possíveis, tem também todos os DVDs que a flor gosta. A coleção de livros para adultos é ainda melhor. Recentemente, me interessei pelo livro Cigarettes are Sublime, sugerido pelo Idelber do Biscoito. Tem! Um amigo recomendou um livro sobre Leo Africanus. Tem! E hoje procurei CDS das Les Nubians, sugestão da Regina do Always por um Triz. Tem dois! Já reservei e vou passar para buscar daqui a pouco.

O espaço físico da biblioteca é ótimo para crianças. Ela torna-se ainda mais essencial no auge do inverno, quando precisamos de muita criatividade para programas bons e baratos com a flor. Ela se diverte com as atividades infantis e a contação de estórias. Aproveita também o espaço em si, com casinha de bonecas, aquários, mesinha com aparelho de chá de brinquedo, e muito, mas muito papel colorido, canetinha e crayon. Uma biblioteca pública tão boa é um privilégio. Além de usufruirmos do acervo, do espaço físico e das atividades, a biblioteca nos ajuda a formar na flor o conceito do pegar emprestado e o hábito de frequentar a biblioteca para pesquisar e tirar dúvidas. A idéia não é comprar e sim pegar emprestado, usar e devolver para que alguém mais possa usufruir. Ela lê os livros e assiste aos filmes sabendo que tem de devolvê-los. Além disso, ela sabe que pode procurar respostas para algumas de suas dúvidas nos livros da biblioteca. E sao ttttaaannnnttttaaasss dúvidas e perguntas...

Outro dia mesmo, ela me perguntou, mamãe, você sabe como nascem as estrelas? A mamãe aqui bem que tenta. Como nascem as estrelas, minha flor? Lá no céu tem milhões de estrelas... desviando o ponto da questão. Insatisfeita com a resposta que nem era uma resposta, ela repete, mas como elas nascem? Hum... Por fim, ela mesma sugere, vamos a biblioteca procurar um livro que mostre como nascem as estrelas? Assim, desejo em saber mais pode se transformar em desejo de ler um livro (ou, nesse caso, ser lido para ela) e isso se traduz em pegar o livro emprestado e não necessariamente em comprá-lo.

Além de tudo isso, a biblioteca aceita sugestões para seu acervo e as leva muito a serio. Eu mesma já sugeri dois livros que não havia encontrado na acervo. Minhas sugestões foram recebidas, as mensagens respondidas e os livros comprados. Sinto que o imposto pago à cidade tem retorno, no mínimo, em forma de biblioteca pública!

terça-feira, 8 de maio de 2007

Sobra alguém aí???

A igreja católica condena:

1. O divórcio;
2. O sexo antes do casamento;
3. O sexo depois do casamento cujo fim não seja a procriação;
4. O uso de contraceptivo, inclusive a camisinha, mesmo em tempos de HIV e Aids, sem falar nas doenças sexualmente transmissíveis;
5. A união consensual, vulgo, viver juntos "em pecado";
6. União de pessoas do mesmo sexo;
7. O aborto, em qualquer circunstância;
8. Deve condenar também os filhos daqueles em união consensual, dos divorciados, dos homossexuais...;
9. O "ficar", acabo de ler em algum jornal on-line em reportagem cobrindo a visita do papa ao Brasil;

O que mais? Tenho certeza que me esqueci de outras coisas. Então sobra quem? Alguém me diz aí se sobra alguém que não se encaixe em pelo menos uma categoria dessa lista!

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Ano passado, voltando de uma conferência no México, sento ao lado de um jovem seminarista mexicano. Só faltei me atracar e dar uma surra no sujeito. Foram 4 horas muito tensas entre a Cidade do México e Detroit. Para poupá-los de tanta chateação, escrevo apenas um exemplo das barbaridades que ouvi. Entre outras coisas, ouvi que a igreja católica não tem o dever ou sequer o interesse em ajudar aqueles infectados com HIV na África (vários paises africanos, como África do Sul e Botswana, tem uma proporção altíssima de pessoas com Aids/HIV) e que nem a eles a igreja permite o uso de camisinha. Isso porque as pessoas estão morrendo de Aids porque não seguiram os preceitos da doutrina Católica e mantiveram relação sexual para fins que não a procriação, com mais de um parceiro, etc, etc, etc. Claro que essa era a opinião de um ser e não necessariamente representa toda uma instituição. Mas peraí né? Ainda assim não acredito que esteja fora do que a igreja católica prega. Detalhe: a conferência era sobre saúde sexual e reprodutiva. Estava com meus argumentos na ponta da língua. Mas no final das contas eu apelei: Não existe um lugar na bíblia que diz amai, perdoai, ajudai, algo assim?

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Raça e Racismo aqui e la'.

Está mais uma vez pegando fogo a discussão do que é ou não é um comentário racista nos Estados Unidos. Isso porque um apresentador da NBC, Don Imus, caracterizou as moças do time de basquete da Universidade de Rutgers, negras, como “nappy-headed hos”, o que seria algo como, cabelo pixaim. Veja no New York Times">. No programa de hoje cedo da Diane Rehm, na National Public Radio (NPR), houve uma mesa redonda sobre o caso e deu até um pseudo bate boca. O contra-ponto foi o seguinte. De um lado: Então nunca poderá ser feito comentário sobre nenhum grupo, especificamente, negros? Vamos chegar a um ponto em que nao haverá mais "material" para programas humorísticos? Não poderemos mais falar de nada nem de ninguém. Será uma censura total. Além disso, quando são feitos comentários desse tipo em relação a brancos, judeus, etc, etc, ninguém é mandado embora. Do outro lado: Este foi um comentário duplamente racista e preconceituoso: mulher e negros. E aí? Tem de cancelar o programa e tudo o mais. Temos sim que ficar alerta a esse tipo de comentário racista porque, afinal de contas, essas são minorias tradicionalmente discriminadas e, caso nao as "protejamos", desigualdades já existentes serão perpetuadas.

O tom era. E aí? Onde fica a linha entre poder "fazer graça", o racismo, o preconceito e o desrespeito? Seria censura? Acredito que temos sim de sanar as desigualdades e preconceitos existentes nas sociedades, e nao exacerbá-los. Isso vale principalmente para a mídia. Comentários como o feito pelo apresentador da NBC servem apenas para fazer o contrário: separar ainda mais as minorias e reforçar estereotipos. Entretanto, concordo que vale o cuidado para que a censura nao tome conta do que cada um diz. Mas vale ressaltar que a diferença crucial é a natureza racista do comentário. Racismo vem da idéia de se perpetuar desigualdades e condições inferiores advindas de uma estrutura social e econômica desfavorável. Falando em termos do meu trabalho, se tentamos estimar a renda usando características como nível de escolaridade, ocupação (ou seja, determinantes tradicionais da renda de um indíviduo) e raça, os resultados mostram um efeito significativo da raça ainda que levado em conta o efeito de escolaridade e ocupação. Existe uma desvantagem tanto em educação como em renda dos negros em relação aos brancos. Como interpretar? A análise quantitativa deixa evidente que essa desigualdade existe, mas nao dá margem para explicarmos as razões dessa desvantagem, mas podemos, sem sombra de dúvida, especular sobre o racismo no mercado de trabalho e em outros cantos da sociedade. É dessa desvantagem estrutural que estamos falando quando falamos de racismo. E por isso o comentário parece ser tao perigoso.

Fiquei pensando... e no Brasil, onde estamos em relação a essa questão. E se isso tivesse acontecido no Brasil? Qual seria o teor da discussão? Por um lado, Casseta e Planeta faz esse tipo de piada todo dia. Por outro, o recente episódio com a ministra Matilde Ribeiro (veja discussão excelente no blog Biscoito Fino e a Massa)
reacende a questão do que é o racismo. Ela disse que "não é racismo quando um negro se insurge contra um branco" e foi detonada por todos os lados. Entretanto, concordo com o Blog do Idelber que racismo advém de estrutura social de desvantagem e dessa desvantagem homem branco nunca experimentou. Entao é diferente sim e merece ser tratado de maneira diferente.

E você, o que pensa?

segunda-feira, 26 de março de 2007

veja (in)dispensavel


vejam so essa propaganda da veja que diz tudo!!! ainda chamam o leitor de desinformado... ainda bem que assumem que, se leem Veja, devem ser mesmo...